segunda-feira, 2 de agosto de 2010

BM&F Bovespa cortará em 50% o custo fixo das corretoras

A primeira redução que será aplicada pela BM&F Bovespa é de 30% e passa a valer a partir deste mês. A medida ajuda a compensar a alta dos gastos após abertura de capital das bolsas.

A grita das corretoras de valores e mercadorias, que fazem a intermediação dos negócios nos pregões da BM&F Bovespa, começou a fazer efeito. Está prestes a ser anunciada uma redução média de 30% nos custos fixos mensais pagos por elas à bolsa.

A mudança, prometida para começar a valer agora, em agosto, atende a um pleito que vem desde quando as então BM&F e Bovespa foram transformadas em empresas, abriram o capital e passaram a ter as próprias ações negociadas no mercado, em 2007.

Segundo a proposta, que será formalizada nos próximos dias, a redução deverá chegar a 50% a partir de janeiro de 2011.

"É uma forma de dar mais oxigênio para as corretoras", comemora o diretor-superintendente da Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), Carlos Eduardo Lofrano.

"A bolsa reavaliou processos e verificou que havia condições de diminuir custos sem comprometer a qualidade de serviço."

A bolsa defende que foi a expansão da capacidade de processamento dos sistemas de negociação que permitiu baixar certas taxas, benefício que vai em linha com o objetivo de estimular a popularização do mercado de capitais via corretores.

Do outro lado, paira sobre as intermediadoras - especialmente as não ligadas a grupos financeiros - a sensação de que os custos embutidos na atividade tornam mais difícil a tarefa de fazer o negócio render.

Explica-se: até 2007, as bolsas eram espécies de associações de corretoras sem fins lucrativos. Toda a receita com as taxas de negociação cobradas dos investidores era revertida em prol delas próprias, que pagavam pouco ou eram isentas de custos por uma série de serviços.

"Eram taxas quase simbólicas, já que as bolsas eram das corretoras", lembra o diretor de operações da Souza Barros, Ricardo Pinto Nogueira.

Desde que viraram empresas, as bolsas - fundidas em 2008 - cortaram benefícios. "Foi preciso ajuste interno, mas mesmo assim os custos cresceram muito", destaca o executivo.

O que muda

Entre as mudanças a ser implementadas pela bolsa está a extinção da cobrança pelo chamado pacote tecnológico básico, que inclui uma estrutura mínima de envio e processamento de operações e acesso aos serviços de liquidação, entre outros.

Também vai cair, em um terço, o preço pago pelas corretoras pelo número de ofertas de clientes que enviam por minuto à bolsa.

Atualmente, uma instituição que contrate a faixa de até 120 ofertas por minuto, por exemplo, gasta R$ 5 mil por mês. Já as que precisam de mais "espaço" podem desembolsar até R$ 120 mil mensais.

Haverá, ainda, redução de 33% no valor das portas de acesso ao segmento Bovespa da bolsa, enquanto as portas para o segmento BM&F, até agora gratuitas, passarão a ser cobradas.

Também o fornecimento de cotações para o home broker, ou pessoa física, e o acesso ao Sinacor (sistema de gerenciamento para corretoras) ficarão mais baratos.

Em compensação, o preço por estação de acesso ao Mega Bolsa (sistema de negociação de ações) e ao GTS (sistema de derivativos) vai subir de R$ 200 para R$ 300. Trata-se das telas utilizadas pelos operadores das corretoras para enviar as ordens.

Procurada, a BM&FBovespa afirmou que não comentaria o assunto.

Alguns serviços terão desconto e outros sofrerão acréscimo

Pacote tecnológico

O custo do pacote tecnológico básico será reduzido em 100% - a ideia, claro, é extingui-lo. Ele contempla uma estrutura mínima de acesso a serviços da bolsa, como largura de banda ou custódia. A proposta da bolsa é de que cada serviço seja contratado separadamente.
Ofertas por minuto

Para dar conta da demanda dos clientes, as corretoras contratam faixas de envio de ofertas por minuto junto à bolsa. Esse custo varia de R$ 5 mil a R$ 120 mil por mês e deve sofrer redução de 33%. Corretoras que ultrapassam o limite das faixas contratadas são multadas pela bolsa.
Portas de acesso

O custo com portas de acesso ao segmento Bovespa será reduzido em um terço. Elas representam a ligação da corretora com o pregão - e há portas específicas para cada tipo de cliente (institucional ou home broker). As portas de acesso ao segmento BM&F começarão a ser cobradas.
Cotações

O preço do fornecimento das cotações de ações, em tempo real, para serem disponibilizadas nos sistemas de home broker das corretoras também deve cair 33%. É o que se chama de "market data home broker". As corretoras pagam por cliente conectado ao sistema.
Sinacor

O Sistema Integrado de Administração de Corretoras é um software de gestão com 15 módulos. Atualmente, a taxa de adesão aos módulos varia de R$ 951,50 a R$ 1.744 e as mensalidades, de R$ 158,50 a R$ 872. Estes custos deverão ser reduzidos em 33%.
Estações de sistema

O custo por estação dos sistemas Mega Bolsa (de negociação do segmento Bovespa) e GTS (de negociação do segmento BM&F) vai subir de R$ 200 para R$ 300. Estas estações são, na verdade, os computadores por meio dos quais os operadores das corretoras enviam as ordens.

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